A Kodak voltou a crescer e o film foi decisivo (mas isso não explica tudo)
Kodak fechou o segundo trimestre de 2026 com o quarto crescimento anual consecutivo em receita, lucro bruto e EBITDA operacional. A empresa faturou US$311 milhões, contra US$263 milhões um ano antes, e registrou lucro líquido de US$17 milhões. Para a fotografia, o dado relevante está em AM&C, o segmento em que a Kodak reúne boa parte de suas atividades de film e materiais avançados.
Esse segmento foi o mais dinâmico do trimestre, com um crescimento de receita perto de 40%. É um sinal concreto de que o film ainda tem peso econômico dentro da Kodak. Sozinho, isso não prova que o filme 35 mm para fotógrafos seja o único motor nem que o negócio esteja livre de fragilidade.
O film importa, mas o relatório mede um segmento mais amplo
A leitura rápida seria dizer que o retorno da fotografia analógica salvou a Kodak. O relatório não permite ir tão longe. A AM&C não é uma caixa exclusiva de filme fotográfico para o consumidor. A Kodak reúne ali film, materiais e química, com aplicações que vão além de uma câmera carregada com um rolo.
Isso não tira valor da notícia. Pelo contrário. Mostra por que a demanda atual por film tem consequências maiores do que uma moda de redes sociais. Manter uma fábrica, conseguir emulsões, sustentar fornecedores e preservar conhecimento técnico exige volume e continuidade. Um segmento que volta a crescer dá mais margem para produzir, planejar e manter uma oferta que depende de uma cadeia industrial complexa.
| O dado | A leitura prudente |
|---|---|
| A receita trimestral chegou a US$311 milhões, contra US$263 milhões um ano antes. | A melhora é consolidada: inclui negócios diferentes da fotografia. |
| A AM&C cresceu perto de 40% em receita. | O segmento combina film, materiais e química; não isola o consumo de rolos fotográficos. |
| A Kodak acumulou quatro trimestres seguidos de crescimento anual nas métricas operacionais. | Uma sequência trimestral, por si só, não elimina os riscos financeiros e operacionais de uma empresa industrial. |
Também convém não confundir receita com disponibilidade imediata. O fato de a Kodak vender mais não garante que cada filme estará sempre em estoque, que o preço vai cair ou que todos os formatos receberão a mesma atenção. A produção de film continua exposta a custos de matérias-primas, capacidade de revestimento, logística e decisões de distribuição. A demanda pode crescer e, ainda assim, o fotógrafo encontrar limites concretos na hora de comprar.
O sinal útil está na continuidade
Para quem fotografa em analógico, o melhor dado não é uma promessa de abundância. É que o negócio ligado ao film volta a justificar atividade industrial. Essa continuidade importa mais do que um entusiasmo passageiro. Ela permite pensar em emulsões vigentes, formatos sustentados e laboratórios com matéria-prima para trabalhar.
A situação ainda exige uma leitura menos nostálgica. A Kodak não voltou a ser a empresa dominante da era química. É uma companhia com negócios diversos, dívida, custos industriais e um mercado de film muito menor do que o de seu passado. O trimestre é uma melhora verificável. A conclusão razoável é mais modesta: a fotografia analógica gera valor real para a Kodak, mas o futuro dela depende de essa demanda se manter e de o restante do negócio não a desestabilizar.
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